Contaminação de espaços públicos por parasitas intestinais de cães e gatos na Região de Aveiro, Portugal: uma abordagem de “Uma Só Saúde”

Autores

  • Rita Picado Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Lusófona, Lisboa, Portugal
  • Ana Maria Munhoz Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade Lusófona, Lisboa; CECAV – Centro de Ciência Animal e Veterinária, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Vila Real; AL4AnimalS, Laboratório Associado para a Ciência Animal e Veterinária, Lisboa, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.51126/revsalus.v5iSupii.774

Palavras-chave:

Cães, gatos, parasitas, contaminação ambiental, zoonoses

Resumo

Introdução: A proximidade entre o ser humano e os animais de companhia tem vindo a ser cada vez mais frequente. No entanto, esta aproximação torna-se um risco para a infeção por agentes zoonóticos como parasitas intestinais dos cães e gatos. Objetivos: Neste estudo foi avaliada a contaminação de espaços públicos com formas parasitárias intestinais de cães e gatos. Foi também realizada uma entrevista com um questionário a tutores com a finalidade de avaliar a perceção destes quanto às rotinas que pudessem representar risco de infeção humana e hábitos de desparasitação dos animais. Material e Métodos: Foram analisadas 120 amostras de fezes e 55 amostras de solo provenientes de parques e jardins públicos, parques infantis, parques caninos, praias e centros escolares. Utilizou-se para a análise das amostras fecais o método de Willis e o método de sedimentação simples, e para as amostras de solo, o método de Rugai. Também foram realizadas 101 entrevistas aos tutores que passeavam os seus cães. Resultados

Foi observada a prevalência de parasitismo em 17,5% de amostras fecais e 67,3% nas amostras de solo. Nas amostras fecais a prevalência foi de 14,2% Toxocara spp., 4,2% ancilostomídeos, 0,8% Dipylidium caninum e 0,8% Cystoisospora spp. Nas amostras de solo a prevalência foi de 54,5% família Taeniidae, 29,1% Toxocara spp., 23,6% ancilostomídeos, 3,6% Dipylidium caninum, 3,6% Cystoisospora spp. e 1,8% Strongyloides spp. Nas entrevistas, 88,1% dos tutores afirmou recolher as fezes dos seus cães, em 54,5% dos cães não se realizava a desparasitação interna com regularidade, 86,1% dos animais tinha acesso aos quartos, camas e sofás dos tutores, 72,3% dos tutores permitiam que os cães lambessem a sua face e 84,2% dos tutores desconhecia o significado da palavra “zoonose”. Conclusões: Foi observada uma elevada prevalência de parasitismo nas fezes e no ambiente com formas parasitárias de elevado risco zoonótico como Toxocara spp., Ancylostoma spp. Dipylidium caninum e Strongyloides spp. O contato próximo dos animais com os tutores revelou ser um risco para infeções parasitárias zoonóticas, devendo ser encorajadas campanhas de sensibilização e educação da população nas vertentes humana, animal e ambiental e adoção de uma abordagem “Uma só Saúde”.

Publicado

2024-01-15

Como Citar

Contaminação de espaços públicos por parasitas intestinais de cães e gatos na Região de Aveiro, Portugal: uma abordagem de “Uma Só Saúde”. (2024). RevSALUS - Revista Científica Internacional Da Rede Académica Das Ciências Da Saúde Da Lusofonia, 5(Supii), 95. https://doi.org/10.51126/revsalus.v5iSupii.774

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