Instrumento Visual Estruturado de Comunicação Terapêutica com Pessoas com Défice Cognitivo
DOI:
https://doi.org/10.51126/b828tx32Palavras-chave:
Défice cognitivo; comunicação terapêutica; instrumento visual estruturado; memória autobiográfica; revisão integrativaResumo
Introdução: O transtorno neurocognitivo compromete memória, orientação e comportamento, dificultando a comunicação clínica e a adesão aos cuidados, especialmente em contexto de hospitalização. Intervenções não farmacológicas fundamentadas em estratégias comunicacionais consistentes mostram potencial para atenuar sintomas psicológicos e comportamentais e para qualificar a relação terapêutica. Propõe-se um instrumento visual estruturado que sistematiza pistas e rotinas de interação, com foco na estimulação da memória autobiográfica. Objetivos: (i) Mapear a evidência disponível sobre estratégias de comunicação eficazes dirigidas a pessoas com défice cognitivo; (ii) traduzir essa síntese num Instrumento Visual Estruturado (IVE), de fácil implementação, que sirva de guia para profissionais e cuidadores na organização de interações terapêuticas orientadas, coerentes e centradas na pessoa. Material e Métodos: Realizou-se uma revisão integrativa com formulação da questão, definição de critérios de inclusão/exclusão, pesquisa em CINAHL, MEDLINE, LILACS, ProQuest e Biblioteca Virtual da Saúde, avaliação crítica dos estudos e síntese narrativa temática. Incluíram-se publicações (2013–2023) em português, inglês, francês e espanhol, focalizadas em estratégias de comunicação para pessoas com défice de memória em contextos de saúde. A síntese serviu de base, por coconstrução, do IVE. Resultados: A literatura convergiu em cinco eixos operacionais: (1) envolvimento da família na personalização de mensagens; (2) adaptação do ambiente físico e redução de estímulos distractores; (3) simplificação, clareza e repetição de instruções; (4) uso de suportes e pistas visuais; e (5) oferta de ancoragens espaciotemporais que estruturam a interação. A partir destes eixos, concebeu-se o IVE em formato de calendário de mesa com seis questões de evocação autobiográfica, funcionando como prompts visuais que orientam o diálogo, apoiam a orientação para a realidade e reforçam a continuidade da pessoa ao longo dos turnos de cuidados. O desenho privilegia linguagem iconográfica simples, sequenciação lógica e aplicabilidade transversal a diferentes cenários clínicos. Conclusões: O Instrumento Visual Estruturado emerge como solução prática e replicável para qualificar a comunicação terapêutica com pessoas com défice cognitivo, potenciando a recuperação de memórias autobiográficas e a organização da interação. A heterogeneidade metodológica dos estudos sintetizados e a variabilidade contextual constituem limitações que recomendam ciclos posteriores de teste, validação e refinamento, incluindo avaliação de aceitabilidade e usabilidade em serviço.
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