Estamos a aproveitar todo o potencial da osteopatia no sistema de saúde? Revisão Narrativa Crítica
DOI:
https://doi.org/10.51126/revsalus.v8i1.1403Palavras-chave:
Saúde; Cuidados de saúde; Ecologia; Dor; Osteopata; Sistema neuroimunitário; Toque afetivo; Inferência ativaResumo
Este artigo constitui uma revisão narrativa crítica, de natureza conceptual, que não pretende apresentar evidência empírica direta sobre a eficácia clínica da osteopatia, mas sim sintetizar e integrar contributos teóricos e empíricos emergentes para uma compreensão atualizada do potencial do cuidado osteopático nos sistemas de saúde contemporâneos. A saúde é hoje compreendida como um processo dinâmico, relacional e multiescalar, que transcende a visão biomédica redutora centrada exclusivamente na ausência de doença. Neste contexto, a osteopatia tem vindo a ser progressivamente redefinida como uma prática clínica ecológica e centrada na pessoa, orientada para a promoção da regulação adaptativa, da resiliência e da auto-organização dos sistemas vivos. Com base em avanços da ciência cognitiva — em particular no enativismo, no processamento preditivo e na inferência ativa —, bem como numa compreensão sistémica da inflamação crónica de baixo grau e nos dados emergentes sobre a modulação neuroendócrina-imunitária através do toque, argumenta-se que a osteopatia poderá ser compreendida não apenas como um conjunto de técnicas manuais, mas como um processo incorporado e relacional de co-regulação. Através do toque terapêutico, da aliança terapêutica e da construção partilhada de significado, sugere-se que o cuidado osteopático poderá modular processos interoceptivos, autonómicos, imunitários e afetivos, facilitando potencialmente a recalibração alostática e a atualização de modelos preditivos desadaptativos associados à dor persistente, à inflamação e às perturbações da saúde mental. Propõe-se, como hipótese teórica, que, quando integrada em redes de cuidados multidisciplinares, a osteopatia poderá contribuir para sistemas de saúde mais preventivos, integrativos e centrados na pessoa.
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